Quinta, 25 de Fevereiro de 2021
Entrevista

Opinião

Caiado: 'Não dá para acreditar que diante de uma pandemia a política de vacinação não seja nacional'

Diferente de João Doria (PSDB), governador de São Paulo, Ronaldo Caiado afirma que o processo tem que ser centralizado em Brasília

Foto: Ruy Baron / Agência O Globo
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Ronaldo Caiado, governador de Goiás

12 dezembro, 2020

Maiá Menezes -  Yahoo Notícias /  Rio de Janeiro (RJ)

Rio de Janeiro (RJ)  - Na quinta-feira (10/12), um dia antes de postar em seu perfil no Twitter que o governo federal prepara Medida Provisória para coordenar a distribuição de todas as vacinas contra Covid-19 autorizadas no Brasil, o governador de Goiás  Ronaldo Caiado (DEM), rechaçou totalmente a ideia de que cada estado tenha sua política de compra de vacinas. Diferentemente de João Doria (PSDB), governador de São Paulo, que anunciou o início da vacinação com a CoronaVac em seu estado para o dia 25 de janeiro, Caiado afirma que o processo tem que ser centralizado em Brasília.

Qual sua estratégia de Goiás para debelar o aumento dos números de caso de Covid-19?

Fui o primeiro governador a fechar [decretar medidas de lockdown], dia 12 de março. Tive o tempo de fazer com que a curva tivesse crescimento gradual e lento, até chegar em julho. Já tinha mais de 700 leitos, sem que tivesse o colapso hospitalar. Hoje são 45% de ocupação dos leitos de UTI. E 42% de enfermaria. Não desativei nenhum leito. A perspectiva é de não ser pego no contrapé.

Houve uma frase sua sobre a vacina que era a seguinte: ”Foi a melhor notícia dos últimos tempos”. De que maneira o seu estado vai se inserir nesse contexto de tentar comprar a vacina?

Entenda. Eu sou o único governador médico. Tenho que fazer aqui uma análise como governador e como médico de profissão. Não dá para imaginar e muito menos acreditar que diante de uma pandemia a política de vacinação não seja nacional. Neste momento, eu não posso admitir que a responsabilidade seja repassada aos estados. Porque isso vai ser desumano. É inaceitável. Porque, isso sendo aplicado, você iria selecionar brasileiros não pelo grupo de risco. Os estados mais ricos terão mais facilidade e os estados mais pobres estarão jogadas ao léu. Tem que tratar uma federação não com o pensamento de que quem mora em São Paulo tem o Butantan, quem mora no Rio tema Fiocruz e o cidadão que mora fora desses estados está entregue à sorte sem prognóstico de quando será vacinado. Não posso admitir que nós, que sempre tivemos respeito pela federação, tratemos isso dessa forma. Esse é um dos pontos mais importantes do SUS.

O senhor então é contra que cada governador tenha sua política?

Isso é inaceitável para mim. Seria a negação completa do Ministério da Saúde não assumir definitivamente o comando e a distribuição das vacinas. Não existe vacina de São Paulo e do Rio de Janeiro. Tem vacina dos 220 milhões de brasileiros. Ela pode ser distribuída em qualquer lugar do Brasil, mas imediatamente tem que ser distribuída pelo Ministério da Saúde, que imediatamente distribuirá aos estados.

A primeira reação do presidente Bolsonaro foi contrária à vacina. O senhor não acha que foi uma reação política?

Estamos tratando de um tema muito sério, que são vidas humanas, tão relevantes. Seja qual for a vacina que tiver a certificação, temos o dever de aderir. A história da distribuição em São Paulo, anunciada pelo governador, vai provocar uma rebelião, tumulto, desobediência civil. A única soluçào é um regramento geral comandado pelo governo federal.

O senhor vê viés eleitoral, portanto?

Não dei relevância a isso. Essa disputa politica entre o Doria e o Presidente não pode ser preocupação minha como médico e governador. Esse viés eleitoral que está sendo dado, ao se colocar como precursor da vacina, é uma irresponsabilidade. Desrespeito aos colegas governadores. Essa não é uma ação de governador ou de prefeito, mas do govermo federal.