Sexta, 26 de Fevereiro de 2021
Brasília

Disputa

Bolsonaro testa sua força política e lança Lira [líder do Centrão] para presidente da Câmara dos Deputados Federais

Oposição poderá dar o troco em Bolsonaro e lançar Marcos Pereira (Republicanos-SP), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus do bispo Edir Macedo

Foto: Divulgação
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Deputado federal Arthur Lira (PP-AL)

09 dezembro, 2020

Por Raimndo Lira

Brasília (DF) -  O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) lançou na quarta-feira (9/12) candidatura à presidência da Câmara dos Deputados. Aliado do presidente Jair Bolsonaro, Lira deve disputar o cargo com o candidato que o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidir apoiar. Lira é o líder do Centrão na Câmara, composto pelos partidos PL, PP, PSD, Solidariedade e Avante. Juntas, as siglas reúnem 135 deputados e se declararam base aliada de Bolsonaro em maio deste ano. “Para que a gente possa tocar os próximos dois anos de uma maneira diferente de como a Casa vem sendo administrada. Não que venha sendo mal administrada, mas cada presidente tem a sua marca”, disse Lira. A eleição para a presidência da Câmara será no dia 1º de fevereiro de 2021. O deputado Marcelo Ramos (PL-AM) vai concorrer ao cargo de 1º vice-presidente na chapa. Antes de apoiar a candidatura de Lira, Ramos tinha a intenção de se lançar como candidato à presidência da Câmara. A candidatura foi lançada com o lema “Para toda a Câmara ter voz”, na sede do PP, no Senado. No evento, participaram os líderes dos partidos do bloco liderado por Lira e parlamentares de outras siglas, como os líderes do Patriota, Fred Costa (MG) e do PSC, André Ferreira (PE), e o deputado Eros Biondini (PROS-MG). Segundo o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), o PTB também fechou acordo pela candidatura de Lira, embora não tenha enviado políticos à cerimônia. "Todo diálogo começa largo, tem que começar bem amplo. Respeitando minoria, oposição, respeitando regimento, altivez do poder legislativo. Toda a sua pluralidade de pensamentos e correntes ideológicas", disse Arthur Lira. "Mas a maioria num sistema democrático sempre vence e o plenário é soberano por maioria. E na sua soberania as pautas serão levadas à discussão, as pautas serão socializadas pelos deputados." Lira disse ainda que, na sua eventual gestão, o colégio de líderes deve se reunir sempre às quintas-feiras para que os deputados "saibam com antecedência" as pautas. "As relatorias voltarão a ser entregues pela proporcionalidade partidária, os relatores terão autonomia sobre os seus relatórios", disse, sendo aplaudido pelos presentes.

Reeleição proibida

Um julgamento virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou o que diz a Constituição e proibiu a reeleição para as presidências da Câmara e do Senado. Assim, Maia ficou impossibilitado de disputar o pleito, mas ainda não definiu o nome que deve apoiar. Mais cedo, o presidente da Câmara disse que o governo Jair Bolsonaro está “desesperado” para ter um aliado na presidência da Câmara para pautar projetos de costumes e "desorganizar" a agenda do meio ambiente. Rodrigo Maia ponderou que os dois principais grupos que disputam o comando da Casa defendem a mesma agenda liberal na área econômica, em sintonia com o governo. Portanto, diz Maia, o interesse do Palácio do Planalto em interferir no pleito seria para avançar nas pautas de costumes e armamentista.

Apoio

Presente no evento, a deputada Margarete Coelho (PP-PI) disse que a eleição de Lira abriria espaço para pautas "negligenciadas" na Câmara. "Em nome das minorias, em nome das mulheres, em nome daqueles que querem o meio ambiente preservado para essa geração e para as futuras gerações, estamos com você para defender essa pauta", disse a parlamentar. O líder do PSD, Diego Andrade (MG), disse que "a Câmara não pode mais ficar marcada como um lugar em que as propostas vencem por falta de votação".

Oposição

Nos bastidores em Brasília  os comentários são que  a oposição  na Câmara dos deputados federais pretende lançar um nome  para enfrentar Arthur Lira (PP-AL) candidato do presidente Jair Bolonaro (sem partido). O nome do deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP) - bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de (IURB) - é o preferido. Aí surge uma pergunta que não quer calar: Bolsonaro irá enfrentar o bispo Edir Machado, seu grande aliado na guerra contra a Rede Globo?